Por que Jesus foi crucificado? As acusações religiosas e políticas segundo os evangelhos

Jesus foi crucificado por sentença de Pôncio Pilatos, sob a acusação política de se dizer rei dos judeus, depois de ser acusado de blasfêmia diante do Sinédrio. Veja os versículos, as traduções, Tácito, Josefo e a leitura teológica dos evangelhos.

Jesus foi crucificado porque o governador romano Pôncio Pilatos o condenou como "rei dos judeus", uma acusação política de sedição contra Roma. Antes disso, o sumo sacerdote Caifás e seus conselheiros o tinham declarado culpado de blasfêmia e o enviaram a Pilatos com a recomendação de executá-lo [1]. O Novo Testamento acrescenta uma resposta de outro plano: "Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras" (1 Coríntios 15:3, ARA).

São duas respostas, e cada uma vale no seu plano. A primeira é a do historiador: quem acusou, quem julgou, que lei foi aplicada. A segunda é a da fé: o que essa morte significa.

Existe ainda uma terceira resposta, curta e errada: "os judeus mataram Jesus". Os evangelhos nomeiam quem acusou, quem julgou e quem executou.

Duas acusações, dois tribunais e uma sentença romana. Blasfêmia diante do Sinédrio, "rei dos judeus" diante de Pilatos. Quem pregou Jesus na cruz foram soldados de Roma, cumprindo uma pena de Roma.

Neste estudo, com os versículos e as fontes na mesa, você vai ver:

  • o que foi dito diante do Sinédrio e por que o sumo sacerdote falou em blasfêmia;
  • como a acusação mudou de assunto diante de Pilatos;
  • por que as traduções leem de três jeitos a resposta "Tu o dizes";
  • o que Tácito e Flávio Josefo, de fora da Bíblia, registraram sobre a execução;
  • quem os evangelhos nomeiam como responsáveis, o que a Igreja Católica declarou sobre a culpa coletiva e o que os evangelhos dizem sobre o sentido dessa morte.

Por que Jesus foi crucificado? As duas acusações em uma tabela

Jesus foi crucificado depois de enfrentar duas acusações diferentes, diante de duas autoridades diferentes. A primeira era religiosa. A segunda, política. Só a segunda levava à cruz.

AcusaçãoDiante de quemVersículoPena prevista
BlasfêmiaSumo sacerdote e SinédrioMarcos 14:61 a 64 e Mateus 26:63 a 66Morte por apedrejamento (Levítico 24:16)
Perverter a nação, vedar o tributo a César e dizer-se "o Cristo, o Rei"Pôncio PilatosLucas 23:2Crucificação, pena romana para traição [2]
Fazer-se rei contra CésarPôncio PilatosJoão 19:12Crucificação

Entre os estudiosos, a crucificação é um dos dois fatos mais seguros da vida de Jesus, ao lado do batismo. As estimativas de data ficam entre os anos 30 e 33 [3].

O que se discute são os motivos. E. P. Sanders, autor do verbete sobre Jesus na Encyclopaedia Britannica, aponta o estopim: o gesto de Jesus no templo, quando derrubou mesas, e a previsão de que o templo seria destruído "parecem ter sido o que levou à sua prisão" [1].

Qual foi a acusação religiosa contra Jesus diante do Sinédrio?

A acusação religiosa contra Jesus diante do Sinédrio foi blasfêmia. Jesus foi levado "à casa de Caifás, o sumo sacerdote" (Mateus 26:57, ARA). Os depoimentos não batiam uns com os outros. Então o sumo sacerdote perguntou direto: "És tu o Cristo, o Filho do Deus Bendito?" (Marcos 14:61, ARA).

Jesus respondeu "Eu sou" e acrescentou que eles veriam o Filho do Homem assentado à direita de Deus e vindo com as nuvens do céu.

"Então, o sumo sacerdote rasgou as suas vestes e disse: Que mais necessidade temos de testemunhas? Ouvistes a blasfêmia; que vos parece? E todos o julgaram réu de morte." (Marcos 14:63 e 64, ARA)

"Blasfêmia" traduz o grego blasphēmia. O léxico de Thayer registra para a palavra o sentido de fala ímpia e injuriosa contra a majestade divina, e Mateus 26:65 e Marcos 14:64 estão entre as referências do verbete [4]. A Lei de Moisés dava a pena: "Aquele que blasfemar o nome do Senhor será morto; toda a congregação o apedrejará" (Levítico 24:16, ARA).

Apedrejamento. A cruz vem de outro código.

A frase de Jesus era blasfêmia pela lei judaica?

A frase de Jesus, comparada com a definição de blasfêmia que a tradição rabínica registrou mais tarde, não traz o elemento que a regra exige. A Mishná tem uma regra estreita: o blasfemador só é punido se pronunciar o Nome divino, e os juízes, ao ouvir, rasgam as vestes (Sanhedrin 7:5) [5]. Na cena dos evangelhos, as vestes rasgadas aparecem. A pronúncia do Nome, em nenhum dos relatos.

Essa comparação é uma observação de leitura, e tem limite. A Mishná só foi compilada no fim do século 2 ou no começo do século 3 d.C., bem mais de cem anos depois do julgamento [6]. Se a regra já valia nos dias de Caifás, as fontes que consultamos não informam.

Para Sanders, Caifás "evidentemente já tinha decidido que Jesus tinha de morrer" e declarou blasfêmia o que quer que Jesus tenha dito [1].

O medo que vinha antes do julgamento

João conta uma reunião anterior do Sinédrio, e ali o argumento é político: "virão os romanos e tomarão não só o nosso lugar, mas a própria nação" (João 11:48, ARA). Caifás responde: "vos convém que morra um só homem pelo povo e que não venha a perecer toda a nação" (João 11:50, ARA). Sob o domínio romano, lembra Sanders, o sumo sacerdote era o responsável por manter a paz [1].

Nem todo o conselho concordou. Lucas apresenta José de Arimateia como "membro do Sinédrio, homem bom e justo (que não tinha concordado com o desígnio e ação dos outros)" (Lucas 23:50 e 51, ARA).

Por que Pilatos condenou Jesus?

Pilatos condenou Jesus porque a acusação que chegou ao governador era de sedição: um homem que se dizia rei em uma província de César. Pôncio Pilatos governou a Judeia sob o imperador Tibério, de 26 ou 27 a 36 ou 37 d.C. Uma inscrição achada em Cesareia Marítima em 1961 atesta o título dele: prefeito [7].

Diante de Pilatos, a blasfêmia some da acusação.

"E ali passaram a acusá-lo, dizendo: Encontramos este homem pervertendo a nossa nação, vedando pagar tributo a César e afirmando ser ele o Cristo, o Rei. Então, lhe perguntou Pilatos: És tu o rei dos judeus? Respondeu Jesus: Tu o dizes." (Lucas 23:2 e 3, ARA)

São três acusações, todas políticas. Em João, Jesus responde ao governador com uma distinção: "O meu reino não é deste mundo" (João 18:36, ARA). A pressão final sobre Pilatos também fala a língua do império:

"A partir deste momento, Pilatos procurava soltá-lo, mas os judeus clamavam: Se soltas a este, não és amigo de César! Todo aquele que se faz rei é contra César!" (João 19:12, ARA)

Repara no sujeito da frase. No Evangelho de João, "os judeus" tem mais de um sentido, e em uma parte das ocorrências a expressão designa os líderes e as autoridades, sem incluir o povo inteiro, segundo o levantamento do jesuíta Felix Just [8]. Três versículos adiante, o próprio texto diz quem responde ao governador.

Quando os principais sacerdotes declaram "Não temos rei, senão César!" (João 19:15, ARA), Pilatos cede. Um verbete de síntese sobre o governador resume o que os quatro evangelhos registram: o crime pelo qual Jesus foi levado a Pilatos e executado "foi sedição, fundada na sua alegação de ser rei dos judeus" [7].

Pilatos hesitou? Os evangelhos mostram um governador que procura soltar Jesus e acaba cedendo. Sanders lê diferente: Pilatos viu em Jesus um possível agitador e "provavelmente o mandou para a morte sem se angustiar com a decisão" [1]. Nas duas leituras, a ordem sai da boca de Pilatos.

"Tu o dizes": três jeitos de traduzir a resposta de Jesus

A resposta de Jesus a Pilatos muda de tom conforme a Bíblia que você abre. O mesmo acontece com a resposta dada ao sumo sacerdote em Mateus.

TraduçãoLucas 23:3 (a Pilatos)Mateus 26:64 (ao sumo sacerdote)
Almeida Revista e Atualizada (ARA)"Tu o dizes""Tu o disseste [...] à direita do Todo-Poderoso"
Almeida Corrigida Fiel (ACF)"Tu o dizes""Tu o disseste [...] à direita do Poder"
Almeida Revisada (Imprensa Bíblica)"É como dizes""É como disseste [...] à direita do Poder"
Ave Maria"Sim""Sim [...] à direita do Todo-poderoso"

A Ave Maria entrega um "sim" direto. A ARA e a ACF deixam a frase aberta. Segundo o manual de tradução das Sociedades Bíblicas Unidas para Lucas, o pronome grego é enfático ("tu, não eu"), e a expressão "é melhor entendida como uma recusa a responder diretamente à pergunta" [9].

O Sinédrio podia executar alguém?

João explica por que o caso foi parar no pretório: "A nós não nos é lícito matar ninguém" (João 18:31, ARA). Os historiadores se dividem sobre essa frase.

Hans Lietzmann e Paul Winter apontaram execuções ordenadas pelo Sinédrio sem menção a Roma e propuseram, a partir daí, que o julgamento judaico não é histórico e que a execução de Jesus foi assunto puramente romano. A. N. Sherwin-White e outros respondem que, em todo o Império, a pena capital ficava reservada às altas autoridades romanas, e que os casos citados em contrário (Estêvão e Tiago) têm explicações próprias [10].

Nesse ponto ainda falta acordo.

Por que a pena foi a cruz? A lei romana e a placa da sentença

A pena foi a cruz porque a condenação foi romana e o crime, aos olhos de Roma, era traição. Os romanos crucificavam escravos e condenados por conspirar contra o governante; cidadãos e gente das classes altas eram decapitados [2]. O condenado era despido e açoitado, e uma placa pública, o titulus, indicava o crime [2].

"Pilatos escreveu também um título e o colocou no cimo da cruz; o que estava escrito era: JESUS NAZARENO, O REI DOS JUDEUS." (João 19:19, ARA)

"Título" traduz o grego titlos, termo de origem latina que o léxico de Thayer define como a inscrição com a acusação ou o crime pelo qual o condenado sofria. A palavra só aparece duas vezes no Novo Testamento, em João 19:19 e 19:20 [11]. Marcos chama a placa pelo que ela era: "a sua acusação: O REI DOS JUDEUS" (Marcos 15:26, ARA).

Grava isso: a placa não menciona blasfêmia. A sentença escrita na madeira é a política.

O lugar da execução, o Gólgota, tem um estudo só para ele: onde Jesus foi crucificado.

O que Tácito e Josefo escreveram sobre a execução

Duas fontes de fora do Novo Testamento registram a execução, e as duas põem Pilatos no centro.

Tácito, senador romano, redigiu os Anais por volta de 116 d.C. No livro 15, capítulo 44, ele explica de onde vinha o nome "cristãos": "Christus, de quem o nome teve origem, sofreu a pena extrema durante o reinado de Tibério, pelas mãos de um dos nossos procuradores, Pôncio Pilatos" [12]. A maioria dos estudiosos considera a passagem autêntica. Há uma ressalva: Tácito não revela de onde tirou a informação [12].

Flávio Josefo escreveu as Antiguidades Judaicas por volta de 93 a 94 d.C. No trecho 18.3.3, lê-se que Pilatos condenou Jesus à cruz "por acusação dos principais homens entre nós" [13]. O texto chegou até hoje com frases de sabor cristão, como "ele era o Cristo", que os estudiosos tratam como acréscimo. O consenso geral é que a passagem é parcialmente autêntica: existe um núcleo de Josefo, de extensão incerta [13].

Quem matou Jesus? Por que "os judeus" é a resposta errada

Quem matou Jesus, segundo os evangelhos, foi um grupo pequeno de pessoas com poder: uma parte da liderança sacerdotal de Jerusalém, que o acusou; o governador romano, que deu a sentença; e os soldados romanos, que a executaram [3].

Do outro lado da cena, quase todos eram judeus também. Jesus. Os doze. As mulheres que o acompanhavam desde a Galileia. Mostramos isso no estudo sobre a identidade judaica de Jesus.

O povo de Jerusalém aparece dividido. Diante do pretório, uma multidão pede Barrabás, e Marcos diz quem a moveu: os principais sacerdotes "incitaram a multidão" (Marcos 15:11, ARA). A caminho da cruz, o quadro é outro: "Seguia-o numerosa multidão de povo, e também mulheres que batiam no peito e o lamentavam" (Lucas 23:27, ARA).

E o Evangelho de João, que escreve tantas vezes "os judeus"? A palavra grega para "judeu" aparece 71 vezes nesse evangelho, quase sempre no plural, e tem mais de um sentido. Em uma parte dos casos ela designa os líderes e as autoridades, sem incluir o povo inteiro, segundo o levantamento do jesuíta Felix Just [8]. O próprio texto dá a pista: na cena final, quem declara lealdade a César são "os principais sacerdotes" (João 19:15, ARA).

A Igreja Católica pôs essa distinção em documento oficial. A declaração Nostra Aetate, promulgada por Paulo VI em 28 de outubro de 1965, no Concílio Vaticano II, reconhece que autoridades judaicas e seus seguidores pressionaram pela morte de Cristo e completa: "o que aconteceu na sua paixão não pode ser imputado a todos os judeus então vivos, sem distinção, nem aos judeus de hoje" [14]. O mesmo texto deplora o ódio, as perseguições e as manifestações de antissemitismo contra os judeus "em qualquer tempo e por quem quer que seja" [14].

O fio condutor: por que Jesus morreu, segundo ele mesmo

A resposta teológica para a morte de Jesus está nos próprios evangelhos, e ela corre em outro plano. A história explica quem condenou. A fé pergunta para quê. Em João, Jesus descreve a própria morte como entrega:

"Por isso, o Pai me ama, porque eu dou a minha vida para a reassumir. Ninguém a tira de mim; pelo contrário, eu espontaneamente a dou. Tenho autoridade para a entregar e também para reavê-la. Este mandato recebi de meu Pai." (João 10:17 e 18, ARA)

No Antigo Testamento, Isaías descreve um servo que sofre no lugar de outros. É o que chamamos no Fio da Rabiola de fio condutor: a linha que liga a promessa ao cumprimento.

"Mas ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados." (Isaías 53:5, ARA)

Paulo diz que recebeu essa leitura pronta e a passou adiante: "vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras" (1 Coríntios 15:3, ARA).

Pilatos escreveu na placa uma acusação. Paulo leu na mesma morte uma entrega.

O amor que o Novo Testamento vê por trás dessa entrega é o assunto do estudo sobre João 3:16 no grego original. E o que Jesus disse aos discípulos na véspera da cruz está em João 14:6 no grego.

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Fontes consultadas

As citações bíblicas são da Almeida Revista e Atualizada (ARA), conferidas em duas edições do acervo do Fio da Rabiola (1993 e 2010), salvo quando outra tradução é indicada. As citações de fontes em inglês foram traduzidas pela equipe.

  1. E. P. Sanders, "Jesus", trecho sobre a prisão, o julgamento e a execução, Encyclopaedia Britannica. Acesso ao verbete
  2. Rebecca Denova, "Crucifixion", World History Encyclopedia, 12 de maio de 2022. Acesso ao artigo
  3. "Crucifixion of Jesus", historicidade, datas e responsáveis pela execução. Wikipedia (em inglês). Acesso ao verbete
  4. Strong's Greek Lexicon, G988, blasphēmia, com o léxico de Thayer. Blue Letter Bible. Acesso ao léxico
  5. Mishná, Sanhedrin 7:5, com explicação em inglês. Sefaria. Acesso ao texto
  6. "Mishnah", data de compilação. Wikipedia (em inglês). Acesso ao verbete
  7. "Pontius Pilate", governo, inscrição de Cesareia e julgamento de Jesus. Wikipedia (em inglês). Acesso ao verbete
  8. Felix Just, S.J., "'The Jews' in the Fourth Gospel". Catholic Resources. Acesso ao artigo
  9. J. Reiling e J. L. Swellengrebel, A Handbook on the Gospel of Luke (UBS Handbook Series, 1971), comentário a Lucas 23:3, reproduzido em Translation Insights and Perspectives. Acesso ao comentário
  10. "Matthew 27:2", debate sobre o poder do Sinédrio de aplicar a pena capital. Wikipedia (em inglês). Acesso ao verbete
  11. Strong's Greek Lexicon, G5102, titlos, com o léxico de Thayer. Blue Letter Bible. Acesso ao léxico
  12. "Tacitus on Jesus", com o texto de Anais 15.44 na tradução de A. J. Church e W. J. Brodribb (1876). Wikipedia (em inglês). Acesso ao verbete
  13. "Josephus on Jesus", com o texto de Antiguidades Judaicas 18.3.3 e o debate sobre a autenticidade. Wikipedia (em inglês). Acesso ao verbete
  14. Concílio Vaticano II, declaração Nostra Aetate, n. 4, 28 de outubro de 1965. Texto em inglês no site christianunity.va, da Santa Sé. Acesso ao texto

Perguntas Frequentes sobre o Tema

Respostas diretas, ancoradas nas traduções íntegras do nosso acervo e nos textos originais.

Por que Jesus foi crucificado?

Jesus foi crucificado porque o governador romano Pôncio Pilatos o condenou sob a acusação política de se dizer rei dos judeus, o que Roma tratava como sedição. Antes, o sumo sacerdote e o Sinédrio o tinham acusado de blasfêmia (Marcos 14:61 a 64). No plano da fé, o Novo Testamento afirma que Cristo morreu pelos nossos pecados (1 Coríntios 15:3).

Qual foi o crime de Jesus?

O crime de Jesus registrado na sentença foi político: a placa da cruz dizia O Rei dos Judeus (Marcos 15:26 e João 19:19). Diante de Pilatos, ele foi acusado de perverter a nação, vedar o tributo a César e se dizer o Cristo, o Rei (Lucas 23:2). Diante do Sinédrio, a acusação tinha sido blasfêmia.

Quem matou Jesus?

Jesus foi morto por soldados romanos, por sentença do governador Pôncio Pilatos, depois de ser acusado por uma parte da liderança sacerdotal de Jerusalém. Nos relatos, quem acusa são os principais sacerdotes e quem dá a sentença é o governador; Jesus, os doze e as mulheres que o seguiam desde a Galileia eram judeus. A declaração católica Nostra Aetate, de 1965, declara que a paixão não pode ser imputada a todos os judeus daquele tempo nem aos de hoje.

Por que Pilatos condenou Jesus?

Pilatos condenou Jesus porque a acusação apresentada ao governador era de sedição: alguém que se fazia rei era contra César (João 19:12). Os evangelhos mostram Pilatos tentando soltar Jesus e cedendo à pressão. E. P. Sanders, na Encyclopaedia Britannica, avalia que Pilatos provavelmente o viu como um possível agitador e decidiu sem se angustiar.

Do que Jesus foi acusado diante do Sinédrio?

Jesus foi acusado de blasfêmia diante do Sinédrio. Quando o sumo sacerdote perguntou se ele era o Cristo, o Filho do Deus Bendito, Jesus respondeu Eu sou, e o sumo sacerdote rasgou as vestes e declarou ter ouvido blasfêmia (Marcos 14:61 a 64). A pena da Lei para blasfêmia era o apedrejamento (Levítico 24:16).

Por que Jesus foi crucificado e não apedrejado?

Jesus foi crucificado porque a condenação final foi romana. A crucificação era uma pena de Roma, aplicada a escravos e a condenados por traição, enquanto o apedrejamento era a pena da Lei de Moisés para blasfêmia. João 18:31 registra que as autoridades judaicas disseram a Pilatos que não lhes era lícito matar ninguém, ponto que os historiadores ainda debatem.

Existem fontes fora da Bíblia sobre a crucificação de Jesus?

Sim, pelo menos duas fontes antigas de fora da Bíblia mencionam a execução de Jesus. Tácito, nos Anais 15.44, escritos por volta de 116 d.C., diz que Christus sofreu a pena extrema sob Pôncio Pilatos, no reinado de Tibério. Flávio Josefo, nas Antiguidades Judaicas 18.3.3, menciona a condenação à cruz por Pilatos, em um trecho que chegou até hoje com acréscimos e que os estudiosos consideram parcialmente autêntico.

Sobre a Equipe

Equipe Fio da Rabiola

Grupo de pesquisadores dedicados à preservação textual, análise comparativa de manuscritos antigos e inteligência de dados aplicada às Escrituras.